Enfermeira denuncia médica por injúria racial

Enfermeira denuncia médica por injúria racial

Médica teria chamado a enfermeira de ‘escurinha’ dentro do centro cirúrgico do Hospital de Urgência de Teresina Professor Zenon Rocha (HUT), da capital piauiense. Polícia Civil e o hospital apuram denúncia de injúria racial feita pela enfermeira, revelou o G1.

O diretor do hospital, Fábio Matos, e o delegado Sebastião Escórcio, da Polícia Civil, estão averiguando a queixa feita pela enfermeira Laiane Nunes. Ela relatou ter sido vítima de injúria racial por uma médica durante plantão na noite de ontem (2/5), no centro cirúrgico da unidade de saúde. Matos informou que o caso “não vai ficar impune”.

Laiane contou que denunciou o ocorrido para a gerência de enfermagem do hospital. A direção do HUT confirmou que foi aberto um procedimento administrativo para apurar o caso. A médica, que não teve o nome divulgado, ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Conforme relatou ao G1, a enfermeira disse que estava tentando resolver um problema com a médica relacionado à anestesia de uma criança que precisava passar por uma cirurgia de apendicite. Ao sair do local onde a médica estava, soube que ela a tinha chamado de ‘escurinha’, se referindo à cor de sua pele.

“Uma técnica de enfermagem me disse que ela tinha falado ‘chame ali aquela enfermeira escurinha’. Me indignei e disse que faria o que estivesse ao meu alcance para não ficar impune. Outra enfermeira então falou que ouviu ela dizendo para os colegas que tinha falado isso mesmo, porque não sabia meu nome”, relatou a enfermeira ao portal.

Segundo ela, uma situação semelhante já havia acontecido antes, cometida por outra pessoa, mas ela decidiu não denunciar porque na época não tinha recebido o mesmo apoio que recebeu de seus colegas nesse domingo. “Eu só saí e fui chorar no banheiro nesse dia. É muito difícil”, contou Laiane.

Enfermeiras e técnicas de enfermagem que presenciaram o caso ficaram revoltadas. Laiane destacou que decidiu tomar uma providência para que ninguém mais passe por situação semelhante. “São palavras não tão gritantes para quem vê de fora, mas são gritantes dentro de quem sofre, porque são palavras que doem, que ferem, que humilham, mesmo eu sabendo do meu valor. Nós, negros, desde pequenos lutamos contra esse tipo de atitudes e pessoas, que tentam desconstruir quem somos, roubar nossa força e querer nos acuar”, afirmou.

De acordo com o delegado Sebastião Escórcio, titular da Delegacia de Repressão às Condutas Discriminatórias e proteção dos Direitos Humanos, o caso será investigado como injúria racial, após a enfermeira ter registrado a queixa na Polícia Civil.

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A lei 7.716/89 definiu os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor. De acordo com o Código Penal, injúria racial é a ofensa à dignidade ou ao decoro em que se utiliza palavra depreciativa referente a raça e cor com a intenção de ofender a honra da vítima. O crime de racismo, previsto em lei, é aplicado se a ofensa discriminatória é contra um grupo ou coletividade, por exemplo, impedir que negros tenham acesso a estabelecimento.

Fábio Matos afirmou que reuniu o corpo técnico do hospital para discutir o assunto, e registrou a denúncia no livro de ocorrências do HUT. “Não vamos deixar isso passar impune. Uma situação como essa mancha a imagem de todo o hospital. Como podemos aceitar uma médica destratando uma colega de trabalho dessa forma?”, questiona o diretor.

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