Quando será possível dizer que a pandemia acabou?

Quando será possível dizer que a pandemia acabou?

Cientistas se debruçam em dados epidemiológicos, estatísticos e históricos para buscar respostas sobre o fim da pandemia do novo coronavírus. Vacinação disseminada, imunidade de rebanho, redução do alcance do vírus nas comunidades poderão dar pistas de que a crise sanitária possa estar no fim? BBC ouviu especialistas para levantar hipóteses.

Segundo a Real Academia Espanhola, pandemia pode ser definida como uma “doença epidêmica que se estende a muitos países ou que ataca quase todos os indivíduos de uma localidade ou região”. Assim sendo, depreende-se que a Covid-19 deixará de ser uma pandemia quando não tiver mais um alcance tão grande como acontece agora.

Mas quem define esse limite? Mesmo se a Organização Mundial de Saúde (OMS) decidir que a pandemia acabou, serão os países – ou mesmo os estados ou províncias – que determinarão quando a emergência de saúde pública terminará e as quarentenas e restrições poderão ser suspensas.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC, a maneira mais clara e fácil de decretar o fim de uma pandemia seria se não houvesse mais circulação do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Mas até 11 de março de 2021 (exatamente um ano depois de a OMS declarar oficialmente a pandemia), apenas 14 países ou territórios ao redor do mundo estão livres da doença, de acordo com a agência da ONU. Neste grupo estão 12 ilhas localizadas nos oceanos Pacífico ou Atlântico que tiveram que fechar suas fronteiras para ficarem afastadas do vírus.

Existem cerca de 119 milhões de pessoas que já foram infectadas e 2,6 milhões de mortes registradas no período estudado, sendo que esses números continuam a aumentar diariamente. Portanto, o objetivo de interromper completamente as cadeias de transmissão do coronavírus ainda parece muito distante.

Tal dificuldade persiste mesmo quando se considera que existem oito vacinas que previnem a doença e pelo menos 125 países e territórios que já começaram a imunizar suas populações.

Apesar das fortes campanhas de imunização em curso rápido nos Estados Unidos, Israel, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Chile, a vacinação vem em um ritmo muito mais lento em outros lugares do planeta. Além disso, novas cepas do coronavírus continuam a surgir, o que pode reduzir a eficácia das vacinas.

Mesmo nos Estados Unidos, país que administrou o maior número total de doses de imunizantes até agora (mais de 100 milhões), especialistas alertam que será quase impossível atingir os níveis de vacinação necessários – acima de 75% da população protegida – para alcançar a meta de zerar a transmissão do coronavírus por lá.

Esses fatores praticamente descartam a possibilidade de derrotar a Covid-19 por nocaute pela vacinação, como alguns esperavam. O farmacêutico Rafael Poloni acredita que o imunizante é fundamental, mas sozinho não conseguirá decretar o fim da pandemia.

“A vacinação contra a Covid-19 pode demorar tempo além do estimado para alcançar níveis suficientes de imunização de rebanho, muito embora o mercado mundial tenha se esforçado para produzir a contento as vacinas. Sendo assim, é necessário que toda a população permaneça envidando esforços no combate ao novo coronavírus, evitando aglomerações, utilizando máscaras e lavando sempre as mãos ou usando álcool 70%”, argumenta Poloni.

De nocaute a vacina poderá não ganhar da Covid-19, contudo o uso amplo dos imunizantes já disponíveis pode contribuir, aos poucos, para acabar com a pandemia. Cientistas britânicos estimaram que, no caso da Covid-19, a imunidade coletiva (conhecida popularmente como imunidade de rebanho) seria alcançada quando aproximadamente 60% da população fosse exposta ao Sars-CoV-2.

Essa exposição pode ser natural, quando alguém tem a doença, ou preferencialmente pela criação de uma resposta imune após tomar a vacina. Com uma grande parte da população imune ao vírus, reduz-se drasticamente sua circulação dentro da comunidade. A teoria é que, se uma quantidade suficiente de pessoas estiver protegida, os mais vulneráveis ​​terão menos risco de sofrer um possível contágio.

Por enquanto, essa tese está distante de ser colocada à prova nesta pandemia. No final de dezembro, a OMS alertou que “pesquisas de soroprevalência sugerem que, na maioria dos países, menos de 10% da população teve Covid-19”.

Embora as estatísticas sobre vacinação revelem que até agora mais de 300 milhões de doses foram administradas, a parcela das pessoas 100% imunizadas fica muito abaixo disso, uma vez que a maioria dos imunizantes requer duas aplicações para surtir o efeito desejado.

Ainda que a façanha de desenvolver vacinas em menos de um ano seja um enorme avanço científico, alcançado em tempo recorde, o impacto das campanhas ainda é limitado se considerarmos que mais de 7,7 bilhões de pessoas vivem no mundo. Outra coisa que complica o alcance da imunidade coletiva, segundo os especialistas, é que as pessoas que já tiveram Covid-19 não estão necessariamente protegidas contra a doença.

“Ainda não se sabe ao certo quanto tempo dura a imunidade contra esse coronavírus, mas com base nos outros vírus da mesma família e que afetam a população regularmente, sabemos que as pessoas podem se reinfectar”, alertou à BBC World o professor de ciências da saúde ambiental da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Jeffrey Shaman.

“Estamos ainda aprendendo sobre a imunidade depois da Covid-19”, atesta a OMS em um de seus relatórios. “A maioria das pessoas infectadas desenvolve uma resposta imunológica nas primeiras semanas, mas não sabemos quão forte ou duradoura é essa reação. Também há relatos de indivíduos infectados com Covid-19 pela segunda vez”, alerta o texto.

Frente a tantas dificuldades e entraves, muitos cientistas acreditam que a saída da pandemia não ocorrerá nem pela eliminação da doença, nem pelo alcance de uma imunidade coletiva que ultrapasse o limiar dos 60%. Eles apostam no cenário em que a doença estará suficientemente sob controle.

Na prática, isso significa que os números de infecções, internações e óbitos pela infecção não serão mais considerados uma emergência sanitária. Artigo recente da revista The Atlantic estimou que, nos Estados Unidos, esse limite seria atingido quando fossem registradas menos de uma centena de mortes por dia.

Mas por que esse número? Porque se trata de uma taxa aproximada ao que acontece anualmente com a gripe. Para o epidemiologista da Universidade de Michigan, Joseph Eisenberg, esse nível de mortalidade é “considerado aceitável pelo público”.

A declaração de Eisenberg é um tanto subjetiva. Já outros especialistas acreditam que o coronavírus pode eventualmente se tornar um problema endêmico, com picos sazonais, como acontece com os diferentes vírus causadores da gripe nos meses mais frios do ano.

À medida que mais e mais pessoas fiquem expostas ao Sars-CoV-2, a expectativa é que as taxas de transmissão e de infecção comecem a diminuir. Ao mesmo tempo, o vírus pode sofrer mutações para se tornar menos prejudicial, como acontece com outros agentes infecciosos: no início, eles são mais agressivos e se tornam menos letais com o passar do tempo.

Isso pode ser comprovado recorrendo-se à história. Pandemias como a da peste negra, a varíola, a gripe espanhola de 1918 e, mais recentemente, a Aids nos anos 1980 e o H1N1 em 2009, hoje não representam uma ameaça para a humanidade. Até mesmo uma delas (a varíola) foi completamente erradicada.

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Certamente, preveem os cientistas, é possível ocorrer ao longo dos anos surtos de Covid-19, como acontece com a gripe, mas a esperança é que o desenvolvimento de novos medicamentos para tratar a infecção possa torná-la menos mortal.

“Esperamos atingir níveis de infecção controláveis ​​e, com o vírus se tornando cada vez menos grave, é possível atingir um equilíbrio em que este patógeno não seja tão ruim para a maioria das pessoas”, avalia Jeffrey Shaman. “Esse seria o tipo de estabilidade que nos permitiria conviver com esse vírus e, ao mesmo tempo, retornar a algum tipo de normalidade”, completou.

Já outros pesquisadores utilizam modelos matemáticos para estimar quando o mundo poderia estar livre da pandemia. Um artigo publicado no periódico científico Science em janeiro por cientistas da Universidade Emory e da Universidade Estadual da Pensilvânia, ambas nos Estados Unidos, usou um modelo matemático para reproduzir a propagação do vírus e estimar quanto tempo ainda se viverá na emergência de saúde pública.

A conclusão do estudo é que ‘domar a pandemia’ e fazer a Covid-19 se tornar endêmica levará entre um ano e uma década. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi um pouco mais preciso. Em agosto do ano passado, ele estimou que a pandemia terminará em menos de dois anos, ou seja, em meados de 2022. Isso faria com que a crise da Covid-19 fosse ligeiramente mais curta que a gripe espanhola, a pior pandemia do século XX, que perdurou entre 1918 e 1920.

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