Qual é a melhor vacina para combater as novas variantes?

Qual é a melhor vacina para combater as novas variantes?

Em vista do surgimento de diferentes variantes do coronavírus, pesquisadores pelo mundo apontam que a atual prioridade para combater essas mutações não deve ser o desenvolvimento de uma nova vacina, mas sim a adaptação rápida de um imunizante já disponível no mercado.

Ouvidos pela agência AFP, os pesquisadores defenderam essa alternativa destacando que as atuais vacinas não apresentaram uma boa eficácia contra as novas variantes que surgiram recentemente, em especial, no Reino Unido e na África do Sul.

No entanto, segundo eles, há formatos mais fáceis e rápidos de se adaptar às mutações, como é o caso do RNA mensageiro, tecnologia usada nos imunizantes da Pfizer/BioNTech e da Moderna. O RNA mensageiro ensina as células a sintetizarem uma proteína que estimula a resposta imunológica do corpo contra o vírus.

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Estas sequências podem ser sintetizadas muito rapidamente em laboratório. Contudo, as vacinas precisam ser mantidas a temperaturas muito baixas, o que complica as etapas que se seguem à síntese do princípio ativo.

Em contrapartida, as vacinas da AstraZeneca e da Johnson & Johnson utilizam a técnica do vetor viral. Eles também integram material genético nas células, mas pegam carona em um vírus pré-existente diferente do coronavírus. Logo, demoram mais para ser desenvolvidas.

A diferença desses formatos se nota na velocidade dos estudos. Enquanto a Moderna lançou testes clínicos de uma nova vacina em pouco mais de um mês, a AstraZeneca afirmou que demoraria meses para estes novos trabalhos. Ainda assim, é um tempo rápido em vista da norma no mercado.

RNA mensageiro ou vetor viral?

Os pesquisadores não citam qual a melhor opção; se o RNA mensageiro ou o vetor viral, pois eles não veem esses formatos de imunizantes muito distantes entre si, já que ambos têm o potencial de larga produção, conforme defende o virologista da Universidade britânica de Leicester, Julian Yang.

"Não é certo que haja uma diferença tão grande entre as de RNA mensageiro e as de vetores virais, uma vez que se leve em conta a produção em larga escala”, explicou.

Além disso, tanto o vetor viral, como o RNA mensageiro são mais rápidos de desenvolver do que as vacinas convencionais, as chamadas ‘inativadas’ – essas usam todo o coronavírus para produzir resposta imunológica, e não uma pequena parte do vírus (a proteína S, ou Spike), como é o caso dos fatores anteriores.

Ainda não há nenhum imunizante com vírus inativado aprovado na Europa contra a Covid-19, no entanto, espera-se que uma desse formato seja desenvolvida, em breve, pela Valneva e comece a ser distribuída no Reino Unido no próximo outono, no hemisfério norte.

Independente do formato das vacinas, por enquanto, os pesquisadores não estão convencidos que os imunizantes fiquem livres de readaptações frequentes para combater o coronavírus.

O farmacêutico do Ministério da Saúde e do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Rafael Poloni, tem o pensamento alinhado com os pesquisadores europeus. Ele explica a natureza do vírus para contextualizar o quanto ela reflete nas mutações e defende o formato das vacinas com fácil adaptação para combatê-las.

“Os vírus são microrganismos altamente mutáveis, ou seja, passíveis de alterações, naturais ou induzidas, em seu material genético. Ocorre que, com essa alta facilidade de mutação, imprevisível quando se estabelece uma vacina, esse procedimento imunogênico pode tornar-se falho. Então, é preferível que as vacinas tenham seu desenvolvimento com fácil adaptação, para que, se necessário, sejam reformuladas a cada lote de mutações, cepas resistentes a essa vacina.”, explicou.

Poloni enfatizou que, além da vacina para combater o vírus e suas variantes, os protocolos de segurança devem ser seguidos com rigor, para assim, reduzir a incidência de casos de Covid-19 e, até mesmo, um colapso na saúde.

“A vacina é um grande benefício para saúde pública, entretanto, as medidas de controle devem ser ainda intensificadas, haja vista que não há, neste momento, vacina para toda a população. Então, para a saúde pública não entrar em colapso, evitar altas taxas de transmissão do vírus e novas variantes, há a necessidade do uso de máscaras, distanciamento social, lavar sempre que possível as mãos e utilizar álcool 70%”, recomendou o farmacêutico.

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