Reanimação cardiopulmonar: a diferença entre a vida e a morte

Reanimação cardiopulmonar: a diferença entre a vida e a morte

A reanimação cardiopulmonar (RCP) é o procedimento básico fundamental que visa reverter a parada cardiorrespiratória (PCR). É uma técnica utilizada para restaurar artificialmente a circulação e as trocas gasosas nos pulmões, condições fundamentais para manter o cérebro e, consequentemente, os indivíduos vivos.

No Brasil, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 35% das mortes, resultando em 300 mil óbitos por ano, segundo dados do Ministério da Saúde, compilados pela Univiçosa. Dessas mortes, 200 mil ocorrem devido à parada cardiorrespiratória. Daí se depreende a importância da disseminação do conhecimento sobre a RCP, conforme destaca o enfermeiro especialista em emergência e terapia intensiva, Daniel dos Santos Fernandes, gerente de Enfermagem do SAMU da macro-região BH e coordenador técnico do curso de pós-graduação em Enfermagem do PGE.

Quando um profissional de saúde ou alguém que vai prestar o socorro identifica uma pessoa inconsciente, o primeiro passo, lembra o enfermeiro, é sempre verificar a segurança física do indivíduo – se ele está em uma via pública e pode ser atropelado ou sofrer algum tipo de violência. Depois, é preciso examinar os atributos biológicos – se tem sangue, secreção ou outro fluído corporal saindo dele.

Em seguida, deve-se identificar se há parada cardiorrespiratória. A PCR é a interrupção da circulação e dos movimentos respiratórios. Então, é preciso constatar se a vítima está inconsciente, se respira e tem pulso. Se for um leigo, independente de iniciar o atendimento, é fundamental chamar o Samu.

“Quando há uma vítima inconsciente e que não respira o caso pode ser considerado de parada cardiorrespiratória. O leigo não tem a obrigatoriedade de verificar a presença do pulso, mas o profissional de saúde, além da inconsciência e da ausência de respiração, tem que analisar se o paciente tem pulso central, geralmente constatado a partir de um grande vaso sanguíneo, como a artéria carotídea”, explica Fernandes.

É importante também verificar a existência de um desfibrilador nas proximidades, que pode ser encontrado no comércio, locais de eventos, instituições de ensino, clubes. “O diferencial quando o atendimento é feito por um enfermeiro é que ele vai ter maior controle emocional do que um leigo, pois conhece as prerrogativas científicas em torno da situação de parada cardíaca. Ele vai ser mais assertivo na tomada de decisão, na liderança e no gerenciamento da cena”, diz o enfermeiro.  

De acordo com Fernandes, quando o profissional reconhece a parada cardíaca e respiratória deve iniciar imediatamente as manobras de reanimação cardiopulmonar por meio da compressões torácicas. “Ele deve fazer compressões de qualidade, ou seja, aquelas em que o corpo da vítima deve estar sobre uma superfície rígida. As compressões devem ter de 5 a 6 centímetros de profundidade no indivíduo adulto e de 4 a 5 centímetros em crianças”.

Deve-se deixar que o tórax volte à posição normal a cada compressão, e a frequência dos movimentos deve ser realizada entre 100 e 120 compressões por minuto. “E não deve haver interrupção das compressões por um tempo prolongado. Se for necessário parar, a pausa das compressões não pode demorar mais do que 10 segundos, conforme as diretrizes da American Heart Association”, ensina Fernandes.

Durante as compressões, se aparecer o desfribilador externo automático (DEA), o enfermeiro deve orientar a pessoa que o está auxiliando para assumir as compressões em seu lugar e ele deve se encarregar da instalação do aparelho no paciente. O equipamento funciona com eletrodos transcutâneos (adesivos colados no peito do paciente) ligados por fios condutores que vai emitir uma carga permitindo a desfribilação, que faz a reorganização da atividade elétrica do coração. “Por ser automático, o aparelho já identifica qual é o ritmo eletrocardiográfico do coração e identifica a necessidade do tratamento elétrico. O profissional tem que instalar o equipamento e aguardar as orientações do aparelho”, afirma Fernandes.

Em termos de equipamento para a RCP, o DEA é o principal equipamento em nível pré-hospitalar para o suporte básico de vida, que faz o reconhecimento dos ritmos cardíacos e a indicação da terapia elétrica. “De acordo com a epidemiologia, 84% das paradas cardíacas pré-hospitalares vão acontecer em ritmos chocáveis, que é a fibrilação ventricular e a taquicardia ventricular sem pulso, que são arritmias malignas, fazem o coração parar. Os batimentos cardíacos, se existirem, não são suficientes para gerar um pulso. Sem circulação no corpo, os órgãos param de ser perfundidos e o indivíduo evolui para colapso e morte súbita”, esclarece o enfermeiro. “Quando você dá o choque, associado à compressão torácica, ele é capaz de reorganizar essa atividade elétrica do coração e fazê-lo voltar a bater”.

Fernandes frisa que, se o paciente manifestar sinais de vida em qualquer momento do atendimento, o enfermeiro deve posicioná-lo numa posição chamada de salvamento – deitá-lo de lado (esquerdo do corpo), pois melhora a abertura da via aérea e aumenta o retorno venoso ao coração, aumentando as chances de efetividade da manobra de reanimação.

De acordo com o profissional, esses procedimentos compreendem um resumo do passo a passo para o atendimento da parada cardíaca e respiratória, chamado de cadeia de sobrevivência. “É como se fosse uma corrente, na qual a observação de cada elo garante a sobrevivência da vítima de PCR”, diz o especialista, lembrando que esse conhecimento básico pode ser adquirido por meio dos cursos da American Heart Association.

Sediada nos Estados Unidos, ela é a entidade internacional responsável pela organização do conhecimento e do treinamento de habilidade em torno das manobras de reanimação cardiopulmonar. A instituição oferece cursos que podem ser ministrados por centros de treinamento espalhados pelo mundo inteiro, vários deles no Brasil.

Segundo Fernandes, o curso Suporte Básico de Vida (BLS, na sigla em inglês) é muito procurado por profissionais de nível médio e acadêmicos da área da saúde de modo geral. Mas há cursos mais simples, para leigos, que focam na compressão torácica e no reconhecimento da parada cardíaca e respiratória, ofertado gratuitamente. “Várias instituições de ensino têm a responsabilidade social, por meio da extensão universitária, de ofertar para a comunidade esse tipo de treinamento, que pode ser feito em escolas, praças e centros comunitários”.

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Ele lembra que a maioria dos casos de parada cardíaca e respiratória acontece fora do ambiente de saúde. “Os leigos que acionam o Samu estão próximos da vítima e, muitas vezes, têm a oportunidade de realizar os primeiros socorros, que são as manobras do suporte básico de vida relacionadas à RCP, e salvar essa pessoa”.

As pesquisas mostram que cada minuto que a vítima de parada cardíaca ou respiratória fica sem a massagem cardíaca diminui em 10% sua chance de retornar à vida. Em 10 minutos a chance de recuperação é próxima do zero. Segundo o enfermeiro, o tempo de resposta do Samu é em torno de 15 a 20 minutos nas grandes regiões metropolitanas do País. Quanto maior a cidade, maior o tempo de resposta por causa do trânsito. Já nas cidades pequenas o problema é outro. O tempo de resposta também pode elevado porque as distâncias são maiores e, geralmente, têm apenas uma unidade para atender a cidade inteira. Sendo assim, o leigo bem orientado pode ser o principal elo da reanimação cardiopulmonar.

“O mais importante da RCP é o valor incomensurável da vida das pessoas que podem ser salvas por indivíduos treinados em fazer as manobras de reanimação. É um conhecimento que o enfermeiro tem como responsabilidade divulgar para o maior número de pessoas possível, pois as situações de morte súbita vão acontecer em sua grande maioria fora do serviço de saúde, longe dos profissionais da área. Assim, os leigos são aqueles que poderão chegar primeiro e fazer a diferença entre a vida e a morte”, salienta Fernandes.

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