Enfermeira denuncia retirada de útero de imigrantes sem conhecimento delas

Enfermeira denuncia retirada de útero de imigrantes sem conhecimento delas

Um procedimento que lembra as atrocidades do carrasco nazista Josef Mengele na brutalidade, deu origem à denúncia da enfermeira Dawn Wooten, segundo a qual no centro de detenção de imigrantes em que atuava na Geórgia, nos Estados Unidos, eram feitas cirurgias de retirada do útero das detentas sem seu conhecimento e aprovação.

Um ginecologista foi denunciado por supostamente fazer as cirurgias irregulares nas pacientes imigrantes. Apelidado de ‘coletor de útero’, o médico é acusado de realizar histerectomia, cirurgia para a remoção do útero, em várias pacientes que estavam no centro de detenção. A denúncia enviada ao Departamento de Segurança Interna e cita o relato de vários imigrantes.

Segundo informações do Daily Mail, Dawn Wooten trabalhou em tempo integral no Irwin County Detention Center, na Geórgia, operado pela empresa prisional privada LaSalle Corrections. “Quase todo mundo que ele atende tem uma histerectomia. Ele até tirou o ovário errado de uma jovem. Ela deveria ter seu ovário esquerdo removido, porque havia um cisto nele, mas o médico tirou o direito. Ela estava chateada e teve que voltar para tirar o esquerdo e acabou com uma histerectomia total”, afirmou a enfermeira.

Dawn Wooten declarou que várias detentas disseram que fizeram a cirurgia de retirada do útero sem saber porquê e contou que uma das imigrantes perguntou a ela, referindo-se ao médico: 'o que ele está fazendo? Colecionando os nossos úteros?'. Segundo ela, o número de pessoas que estavam fazendo o procedimento de histerectomia intrigou os profissionais da saúde da unidade e os levou a questionarem a real necessidade das cirurgias.

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Para a enfermeira, as mulheres possivelmente não entendiam o que aconteceria com elas. De acordo com o Intercept, cinco pacientes que passaram pelo procedimento entre outubro e dezembro de 2019 disseram à enfermeira que reagiram confusas ao explicar o porquê fizeram a cirurgia. “Várias mulheres alegaram não ter acesso a intérpretes adequados e que a equipe médica muitas vezes não falava espanhol”, afirmou. Ela lembrou ainda que os cuidados de prevenção e combate à Covid-19 são rotineiramente ignorados e que os imigrantes detidos no centro não são testados.

A suspeita de que imigrantes tenham sido esterilizadas sem seu consentimento provocou um escândalo no país. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, afirmou que, se confirmados, os procedimentos são uma violação dos direitos humanos e lembram momentos sombrios da história americana, quando mulheres negras eram forçadas à esterilização, revelou o Jornal Nacional da TV Globo.

De acordo com a agência Reuters, o Serviço de Alfândegas e Imigração (ICE) dos EUA, negou as acusações. A diretora médica do ICE Health Service Corps, Ada Rivera, disse em um comunicado que, desde 2018, apenas dois indivíduos no centro de Irwin foram encaminhados para histerectomias com base em recomendações de especialistas que “foram revisadas pela autoridade clínica da instalação e aprovadas”. Já a LaSalle Corrections, disse em nota que “refuta veementemente essas alegações e quaisquer implicações de má conduta no centro de Irwin”.

Mengele foi médico no campo de concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi um notório membro da equipe de médicos responsáveis ​​pela seleção das vítimas a serem mortas nas câmaras de gás e por realizar experimentos mortíferos em prisioneiros, entre eles métodos ‘baratos’ de esterilização de judeus, ciganos e outros grupos perseguidos pelo regime.

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