Formação superior é um dos desafios da enfermagem no Brasil

Relatório da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) destaca necessidades que vão desde a melhoria da formação e condições de trabalho até a ampliação das competências dos enfermeiros, conforme revelou o Jornal da USP. No Brasil, 24% dos profissionais de enfermagem têm formação superior, enquanto em âmbito global esse número sobe para 69%.

Batizado de ‘Fotografia da Enfermagem no Brasil’, o estudo integra o relatório ‘Estado da Enfermagem no Mundo’, da Organização Mundial da Saúde (OMS), e foi elaborado pela OPAS, contando com a participação do Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, com sede na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.

Os dados foram coletados por meio de um grupo de trabalho liderado pela OPAS no Brasil e foi composto por profissionais dos Ministérios da Saúde e da Educação, Conselho Federal de Enfermagem, Associação Brasileira de Enfermagem, Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros e do grupo de trabalho da campanha Nursing Now, além do Centro Colaborador.

O levantamento apurou dados relacionados à formação do profissional, às condições de trabalho e emprego e às possibilidades de liderança do enfermeiro não apenas no âmbito dos serviços, mas também na elaboração de políticas públicas de saúde.

Segundo a diretora da EERP, professora Maria Helena Palucci Marziale, o estudo revelou distorções a serem resolvidas. Uma delas é que, apesar da graduação em enfermagem contar com mais de mil escolas no Brasil, a Região Sudeste é a que mais concentra enfermeiros, com 45% do mercado de trabalho, enquanto a região Norte possui o menor número de profissionais de enfermagem.

É bem verdade que , segundo a professora, a Região Sudeste tem a maior concentração populacional e de instituições de ensino formadoras destes profissionais, além de oferecer melhores salários e condições de trabalho. Mas é preciso encontrar soluções para melhorar as circunstâncias de atendimento em outras regiões brasileiras.

“Essa situação ficou muito evidente agora, na pandemia da Covid-19, em que a escassez de profissionais de saúde na Região Norte, principalmente, fez com que o Ministério da Saúde estabelecesse uma estratégia de ação chamada Brasil Conta Comigo, que contratou médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde para atuarem nos Estados do Amazonas, Roraima e Amapá”, afirmou Maria Helena ao Jornal da USP.

Outro aspecto que aparece no levantamento revela que a equipe de enfermagem no Brasil configura 70% de todos os profissionais de saúde. No âmbito dessa equipe, 76% são de nível médio, técnicos e auxiliares, e 24% são ocupados por enfermeiros graduados. Esses dados são bem diferentes da realidade global, na qual 69% dos profissionais são de nível superior.

Para Maria Helena, é fundamental aumentar a participação do enfermeiro na composição da equipe de atendimento para melhorar a qualidade dos serviços. “O enfermeiro graduado tem capacitações que podem elevar a qualidade do atendimento. Precisamos seguir o exemplo de outros países neste ponto, que tem sua força de trabalho composta majoritariamente por enfermeiros”, frisou.

O relatório explicitou que a faixa etária da força de trabalho é relativamente jovem, com cerca de 35% dos profissionais com menos de 35 anos e 9% acima dos 55 anos. Além disso, confirmou em números o que diz o senso comum: enfermagem ainda é uma profissão em que as mulheres predominam, com cerca de 87% dos profissionais do sexo feminino.

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Maria Helena diz que o estudo possibilita a identificação de desafios da força de trabalho de enfermagem para a construção de políticas no País com a finalidade de fortalecer, inclusive, o Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as mudanças necessárias, estão a melhoria da formação e atribuição de competências aos enfermeiros, adequação do mercado com ampliação dos postos de trabalho. “Nesta pandemia observamos a contratação em muito maior número de técnicos de enfermagem levando-se em conta a diferença salarial em relação ao enfermeiro”.

Outra questão apontada pela professora é sobre a ampliação de espaços em posição de liderança e governança. “No Brasil não temos enfermeiros ocupando cargos efetivos no governo federal na negociação para formulação de políticas públicas, como acontece em outros países”, salientou.

O estudo feito pela OPAS no Brasil é parte da campanha Nursing Now, lançada em 2018 pela OMS e pelo Conselho Internacional de Enfermeiros, visando valorizar o trabalho do enfermeiro. Para descobrir como promover essa valorização era preciso fazer uma fotografia da enfermagem em cada País.

O grupo montado no País “vai continuar trabalhando para entender melhor os desafios enfrentados pela enfermagem no Brasil”, revelou ao Jornal da USP a professora Carla Aparecida Arena Ventura, da EERP, coordenadora do Centro Colaborador e uma das participantes do estudo.

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