Covid-19: auxiliar de enfermagem cuida de sua comunidade indígena

Covid-19: auxiliar de enfermagem cuida de sua comunidade indígena

A pandemia da Covid-19 é um risco ainda maior para as comunidades indígenas. Povos das mais diversas etnias não tiveram o mesmo contato com vírus que não-indígenas e, por isso, são mais suscetíveis à doença. Distância dos grandes centros e abandono do Governo Federal fazem com que os próprios nativos busquem soluções na comunidade.

É o que vem realizando a auxiliar de enfermagem Vanda Ortega. Todos os dias ela sai de casa de máscara, avental e um cocar de penas azuis e caminha pelas ruas de terra da comunidade Parque das Tribos, em Tarumã, perto de Manaus (AM). Seu trabalho é monitorar a saúde das pessoas, principalmente de idosos.

Pertencente à etnia Witoto, Vanda Ortega, 32 anos, trabalha em um centro médico de Manaus e usa o tempo livre para atender moradores da comunidade sem cobrar nada. “Nós estamos sem assistência nenhuma aqui. Monitoro mais de 40 pessoas, sendo cinco casos mais graves, que são idosos. Muitos deles não estão tomando medicamento porque não podem ir pegar no posto”, disse Vanda à AFP.

A comunidade Parque das Tribos é formada por cerca de 2.500 indígenas de 35 grupos étnicos diferentes. Todos eles vivem em casas precárias, instaladas às margens da floresta amazônica, onde pouco ou quase nenhum medicamento chega. Com a pandemia, tudo ficou ainda mais precário, sobretudo porque o contato externo da comunidade tornou-se mais restrito.

É um novo desafio para os indígenas a chegada da pandemia, e Vanda Ortega sabe quão perigosa pode ser a Covid-19. Os povos indígenas são especialmente suscetíveis aos vírus porque as nações atuais foram contactadas majoritariamente no século 20 e tiveram pouco contato biológico com patógenos com os quais a população não-indígena já lidou. No caso do novo coronavírus, a situação de vulnerabilidade é considerada crítica em caso de exposição, dizem os especialistas.

Os instrumentos de trabalho usados por Vanda Ortega são um monitor de pressão arterial e principalmente um telefone celular. É por meio dele que a auxiliar de enfermagem faz contato com médicos de São Paulo, que atendem os pacientes por videoconferência. Um retrato da pandemia em locais de quase extremo isolamento e descaso total das autoridades.

Risco elevado em comunidades afastadas

Um estudo de antropólogos e geógrafos liderados pela demógrafa da Unicamp e ex-presidente da Funai, Marta Azevedo, apontou que mais de 81 mil índios estão em situação de vulnerabilidade crítica, ou seja, correm alto risco de sucumbir, caso a pandemia de Covid-19 chegue às suas regiões.

A taxa de mortalidade por doenças como a gripe é muito maior entre os indígenas, afirmou ao G1 Marta Azevedo. Com um vírus mais agressivo, como é o caso do Sars-Cov-2 (coronavírus), o resultado pode ter uma letalidade alta, segundo ela. Além disso, há uma dificuldade muito grande de acesso a itens que ajudam na prevenção da nova doença, como sabonete, máscara, álcool gel etc.

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Os pesquisadores consideram que há um risco significativo de haver uma mortandade porque, no passado, houve casos de sarampo e mesmo gripes que fizeram um grande número de vítimas entre as nações indígenas, lembra a pesquisadora da Unicamp.

“Não sabemos exatamente o que vai acontecer, mas nós, indigenistas experimentados, já vimos epidemias em aldeias, e as pessoas morrem com muita facilidade. Achamos que a letalidade pode ser muito maior do que entre a população não-indígena e que pode ser uma carnificina”, disse Marta Azevedo ao G1.

Há ainda preocupação com a possibilidade de que a doença, que tem taxas de fatalidade mais elevada entre os mais velhos, interrompa repentinamente culturas inteiras. Entre esses povos indígenas, o conhecimento é passado verbalmente às novas gerações, e sem os membros mais velhos das tribos, uma parte significativa do conhecimento acumulado deixaria de ser transmitida.

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