Há 200 anos enfermeira mudou práticas de higiene que ajudam a combater coronavírus

Há 200 anos enfermeira mudou práticas de higiene que ajudam a combater coronavírus

Lavar as mãos. Uma atitude tão básica, mas que está na ordem do dia nas recomendações dos profissionais de saúde para a população se proteger contra o novo coronavírus. Quem primeiro percebeu a importância de atitudes como essa para prevenir doenças foi a enfermeira Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna.

Há cerca de 200 anos, a enfermeira aconselhava as pessoas e seus colegas de profissão sobre medidas básicas para evitar o contágio de diversas doenças. Uma de suas principais mensagens destacava o quanto era importante lavar as mãos com água e sabão. No livro “Notas sobre enfermagem”, de 1860, ela escreveu que “toda enfermeira deve ter o cuidado de lavar suas mãos muito frequentemente ao longo do dia. Se lavar o rosto, também, ainda melhor”. Dizia ainda sobre a necessidade de manter janelas abertas para ventilação do ar, tapetes esfregados e ralos limpos. 

Os princípios de Florence Nightingale sobre práticas de higiene ajudaram a transformar os conceitos de saúde pública. “Ela valorizou a importância de ambientes benéficos para a saúde mental e física. Acreditava que pacientes tinham menos chances de melhorar se ficassem deprimidos ou desesperados. Nos hospitais do exército, incentivou soldados a ler, escrever cartas e conversar, afirmou ao jornal O Globo o pesquisador Richard Bates, da Universidade de Nottingham, que trabalha em um projeto sobre as experiências da pioneira da era vitoriana (florencenightingale.org).

Definida como a mais famosa enfermeira da História, Florence passou anos entre doentes e equipes médicas trabalhando em ambientes tomados por epidemias como cólera e tifo. Viu soldados na Guerra da Crimeia (1853-1856) morrerem não por causa dos ferimentos, mas por conta das infecções. Em uma sociedade em que só a voz masculina era ouvida, ela mergulhou em pesquisas científicas e investiu na educação, influenciando políticas sanitárias e salvando vidas.

Suas soluções foram projetadas para um mundo que ainda não entendia como germes se espalhavam e, portanto, parecem simples para os padrões atuais. Segundo Bates, ela defendia a importância da lavagem das mãos, da limpeza de hospitais e de uma enfermagem treinada. Mas também pregava atenção à higiene das casas. Florence considerava que o lar era um lugar crucial para intervenções de prevenção de doenças. Esse era o local onde a maioria das pessoas contraía e sofria de doenças infecciosas. O mesmo é verdade ainda hoje: no surto de coronavírus de Wuhan, entre 75% e 80% das transmissões foram reportadas em núcleos familiares, como revela a revista Galileu.

Na verdade, “Notas sobre Enfermagem” era mais um livro de instrução de saúde pública do que um manual de enfermagem propriamente dito. Ele trazia recomendações para pessoas comuns sobre como manter um lar saudável. Havia conselhos diretos sobre tudo, desde como evitar fumaça excessiva em lareiras (não deixe o fogo ficar muito baixo e não exagere no carvão) até o material mais seguro para cobrir paredes (tintas a óleo, não papel de parede).

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Ao percorrer enfermarias, Florence ficou conhecida como a “Dama da Lamparina”. Criou diagramas para a visualização de dados sobre contaminação, método revolucionário para aqueles tempos. Acabou contraindo uma infecção, a brucelose, e se isolou em casa. Como membro de uma família aristocrática, a atitude foi facilitada porque ela tinha vários empregados. Contudo, não usou o isolamento para descansar, ao contrário, como lembra Bates.

“O mais relevante para os dias de hoje é que ela transformou sua reclusão em vantagem. Tinha uma desculpa para não participar da socialização convencional e isso permitiu que recusasse visitas para se dedicar ao trabalho. Seu período de isolamento mais intenso (1857-1867) também foi o mais produtivo de sua vida”, relata o pesquisador. No tempo de reclusão, ela produziu ainda um relatório de 900 páginas sobre as falhas médicas durante a Guerra da Crimeia e um livro sobre design de hospital.

Para fechar a quarentena, Florence ainda montou a Escola de Treinamento Nightingale para enfermeiras no hospital St. Thomas em Londres, em 1860, um programa de treinamento para parteiras no hospital do King’s College em 1861, além de atuar como conselheira no desenho de vários hospitais novos. Mais para o fim dos anos 1860, ela propôs uma reforma nas enfermarias para transformá-las em hospitais de alta qualidade financiada por impostos.

Além dos desafios da profissão, Florence teve de enfrentar outras adversidades. A família não aceitava seu trabalho e queria lhe arrumar um marido. Ela só conseguiu emprego aos 33 anos, enfrentando a resistência de médicos e militares. Após a Guerra da Crimeia, porém, escreveu relatórios que se tornaram a base da legislação britânica sobre saúde. Como mulher, não podia ter cargo oficial, e fez tudo isso sem receber qualquer crédito.

Hoje, Florence é nome de museu em Londres, de uma fundação e de hospitais. O Reino Unido anunciou recentemente a abertura de cinco hospitais temporários para as vítimas do novo coronavírus. A rede recebeu o nome de Hospitais Nightingale. Também uma campanha estrelada pelo príncipe Charles de prevenção à Covid-19 leva o nome da pioneira da enfermagem, nascida em 12 de maio de 1820, em Florença, na Itália.

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